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Mais(e melhores) Engenheiros(as)!

mais e melhores engenheiros

“Dados são o novo petróleo”, disse Clive Humby, um matemático especializado em ciência de dados. A frase refere-se a importância crescente de dados como recurso precioso, tal qual o bom e velho ‘ouro negro’, o petróleo, foi no século XX. Um passo importante no sentido de obtenção de dados valiosos foi a recente divulgação do inédito MINI-CENSO CONFEA 2024, a maior pesquisa quantitativa da história no setor e isso prova por que precisamos de mais(e melhores) engenheiros(as)!

A pesquisa foi realizada pelo sistema Confea/Crea e Mútua, em parceria com o Instituto Quaest em todo território nacional. O público-alvo foram os profissionais das áreas de engenharia, meteorologia e geociências registrados no CONFEA. Foram realizadas 48.000 entrevistas por telefone o que corresponde a 3,5% do quadro atual do conselho, composto por 1,25 milhão de profissionais.

 

Gargalo estrutural

 

O cenário é desafiador: em suma, falta mão de obra especializada no Brasil. Temos uma redução significativa no número de engenheiros formados e um impacto direto em setores importantes para o desenvolvimento do país enquanto nação emergente. Somado a isso, também há menos procura por cursos de graduações na área tecnológica.

Há uma expressiva queda de profissionais mais jovens registrados no Confea no sudeste, onde se concentram mais da metade dos profissionais do país. A boa notícia vem das regiões norte, sul e centro-oeste pois vão na tendência contrária, e têm apresentado alta no registro de profissionais jovens.

A queda média no ingresso em cursos universitários das engenharias no país é de 23% nos últimos dez anos, chegando a 52% quando se trata da engenharia civil, a especialidade mais procurada, trata-se da área de formação de 44% dos profissionais registrados no Confea.

Diversos estudos recentes já comprovaram que a disponibilidade de profissionais de engenharia em um país é um indicador importante do seu potencial de desenvolvimento econômico e da sua capacidade de competir em um cenário globalizado.

A média atual brasileira é de 5,5 engenheiros para cada mil habitantes. Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o ideal seria ter pelo menos três vezes mais. Em países como Alemanha, Japão e Estados Unidos, a proporção chega a 25 profissionais por mil habitantes. Na China, o índice vem subindo e já chega a 13 profissionais para cada mil habitantes, mesmo com a população de 1,4 bilhão de pessoas. 

 

EAD ajuda ou atrapalha?

 

A despeito de todo o cenário supramencionado, temos significativa mudança no perfil dos estudantes pois há cada vez mais cursos de formação a distância (EAD). Em 2014, era de aproximadamente 6% e saltou para 54% após uma década. Em 2023, pela primeira vez, o EAD superou o presencial.

Com o aumento de cursos EAD, surgiu um problema tão grave quanto o possível apagão de profissionais. Há comprovação da capacidade técnica/ profissional dos emergentes deste novo universo educacional? Pois foram encontradas “graduações” 100% online, e isso representa um enorme risco a vida e patrimônio público e privado.

Com intuito de estabelecer normatização, o Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria que dispõe sobre a oferta de EAD por instituições de ensino superior.

O documento define os formatos aceitáveis para a formação profissional e estabelece o fim da engenharia 100% EAD, e que os cursos de engenharia e afins devem ser ofertados em formato semipresencial, com pelo menos 40% de atividades presenciais somadas a 20% de atividades presenciais ou síncronas, mediadas por tecnologia.

Sabemos da importância do EAD no intuito de democratizar o ensino superior, em especial a quem tem menos renda, ou menos disponibilidade de deslocamento. Porém para a engenharia, o modelo digital não pode substituir a formação presencial pois a atuação do engenheiro exige muito mais do que aprendizado a distância. Nossa formação vai além da obtenção de um diploma, ela exige prática e convivência multidisciplinar.

Diante deste grande panorama, precisamos repensar de maneira geral o quanto e como formamos engenheiros no Brasil, para buscar meios de contribuir com este grande debate nacional, a fim de promover um ambiente melhor para a engenharia brasileira na pessoa de seus profissionais, mas sem renunciar a qualidade da formação técnica que é necessária. 

 

Fonte:  MINI-CENSO CONFEA 2024

Fonte: Censo da Educação Superior/MEC/Inep

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