Há pouco mais de 40 anos, a China era uma nação miserável e predominantemente rural. A imagem de vastas plantações de arroz e de bicicletas superlotando as ruas de Pequim era o cenário à época. Mas a nação de mais de 1 bilhão de pessoas passou por uma transformação sem precedentes na história recente da humanidade. Trata-se da revolução Chinesa: da pobreza à 2ª economia do mundo. Com arranha-céus que tocam as nuvens e uma presença tecnológica que rivaliza, em muitos aspectos, a República Popular da China já superou o Ocidente.
Essa transformação não foi mágica, mas sim o resultado de uma estratégia calculada e de uma série de reformas audaciosas que começaram no final da década de 1970.
O Ponto de Virada: A Abertura Econômica
A partir de 1978, a China se afastou do modelo econômico de Mao Tsé-Tung, quando Deng Xiaoping passou a implementar sua política de “reforma e abertura”. As fazendas coletivas foram desmanteladas em favor de um sistema que permitia a propriedade e o comércio privado de pequenas propriedades. Isso liberou portanto a produtividade de milhões de agricultores.
Em seguida, vieram as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), como Shenzhen, uma pequena vila de pescadores que se transformou em uma metrópole tecnológica. O objetivo era atrair investimento estrangeiro, tecnologia e conhecimento de gestão. O Ocidente viu na China uma fábrica de mão de obra barata, ideal para a produção em massa. O que eles não perceberam foi que a China estava usando essa oportunidade para absorver conhecimento e construir suas próprias capacidades. Essa estratégia é bem documentada em livros como “The China Dream” de Joe Studwell, que analisa o papel do Estado no desenvolvimento econômico.
A Inovação como Motor
No passado, era comum a China ser criticada por ser uma nação que apenas copiava tecnologias estrangeiras. No entanto, o país fez a transição de “fabricante do mundo” para “inovador do mundo”. O cenário começou a mudar quando passaram a investir pesado em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O ranking GII de 2024 coloca a China como uma das nações mais inovadoras do mundo.
O que é mais impressionante é a velocidade e a escala da inovação. A Tencent, por exemplo, com seu superapp WeChat, e a Alibaba, com sua infraestrutura de e-commerce e pagamentos, criaram modelos de negócios ainda não alcançados no mundo Ocidental. O WeChat é uma plataforma completa que integra pagamentos, serviços, redes sociais e comércio. Algo que o Facebook e o Google, até hoje, não conseguiram replicar. Essa integração tecnológica é um dos pontos em que a China já superou o Ocidente, como aponta o McKinsey Global Institute em seu relatório de 2024 sobre a transformação digital chinesa.
Onde a China Já Lidera
A liderança chinesa não se restringe aos superaplicativos. A China é líder em várias tecnologias-chave:
- 5G e 6G: Apesar das sanções dos EUA, empresas, como a Huawei, continuam se destacando em infraestrutura de telecomunicações global. A China está muito à frente do Ocidente na implantação do 5G e já está em estágios avançados de pesquisa em 6G.
- Pagamentos Digitais: Enquanto o Ocidente ainda usa largamente cartões de crédito e débito, a China opera em uma sociedade quase sem dinheiro físico, onde pagamentos via QR code (Alipay e WeChat Pay) são a norma.
- Inteligência Artificial (IA): O país está investindo bilhões em IA e já superou os EUA em algumas áreas, como a quantidade de publicações científicas e patentes relacionadas a IA. A vastidão de dados gerados pela população chinesa é uma vantagem única para treinar algoritmos. Um relatório do Council on Foreign Relations de 2025 destaca que a China tem um plano estratégico para se tornar a líder mundial em IA até 2030.
- Energia Renovável: A China é o maior produtor de energia solar e eólica do mundo e líder na fabricação de baterias para veículos elétricos. Sua dominância nessa cadeia de suprimentos coloca o Ocidente em uma posição de dependência.
O Caminho pela Frente
A despeito dos desafios domésticos, como a desaceleração demográfica e alguns problemas setoriais, como o imobiliário, sua trajetória é uma lição de planejamento estratégico e adaptação. A partir de um governo centralizador com paciência para investimentos de longo prazo e o dinamismo de um setor privado inovador, a China criou uma receita de sucesso que supera as expectativas de muitos no Ocidente.
Em suma, a ascensão Chinesa não é apenas um fato isolado na economia mundial, acima de tudo, é uma redefinição do poder geopolítico. Portanto, a jornada empreendida pelo gigante asiático, mostra que a ambição e a resiliência podem reescrever a história de uma nação. O ocidente, deve entender que a corrida tecnológica não é mais uma questão de acompanhar, mas sim de competir de verdade, tomando cuidado para não ser atropelado. A revolução Chinesa: Da pobreza à 2ª economia do mundo