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O Paradoxo da Engenharia Brasileira e a Escassez de Talentos

O Paradoxo da Engenharia Brasileira e a Escassez de Talentos

O mercado de trabalho para engenheiros no Brasil apresenta um panorama paradoxal. Lembrando a velha máxima: temos uma notícia boa e uma ruim, qual você quer saber primeiro? A boa notícia é que a demanda por profissionais está em alta e a empregabilidade é boa. Mas, para contrapor, a notícia ruim, e que vai na contramão da boa é que o país enfrenta um déficit preocupante de talentos. Neste post, vamos explorar a dinâmica atual do mercado, as tendências salariais e as novas habilidades que os engenheiros precisam desenvolver para se destacarem. Um resumo do paradoxo da engenharia brasileira: empregabilidade X escassez de talentos.

 

Empregabilidade e Demanda Atual por Profissionais Qualificados

 

O mercado está ON, diriam os mais novos. De acordo com o Censo CONFEA 2024, 92% dos engenheiros, agrônomos e geocientistas brasileiros estão empregados e 78% desses profissionais atua diretamente em suas áreas de formação. Esses números são significativos, especialmente quando comparados às taxas de desemprego observadas em outros setores da economia.

Apesar disso, enfrentamos um déficit preocupante de profissionais. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estimou a falta de 75 mil profissionais apenas em 2023, com empresas reportando dificuldades em preencher vagas, mesmo oferecendo bons salários.

Segundo a revista Exame, a previsão é de 350 mil novos postos de trabalho nos próximos anos. As universidades brasileiras formam apenas cerca de 50 mil engenheiros por ano, criando um “déficit gigantesco”, considerado preocupante para o desenvolvimento nacional.

Setores como infraestrutura, tecnologia, logística, supply chain e energias renováveis estão em aquecimento. Impulsionando significativamente a demanda por engenheiros, em parte, por investimentos governamentais e pela ascensão da Inteligência Artificial (IA) e da computação avançada, que estimulam a construção de data centers, apesar da persistente escassez de talentos.

A coexistência de 92% de empregabilidade com um déficit de 75 mil engenheiros e a dificuldade das empresas em preencher vagas sugere que a “escassez” não é de engenheiros em geral, mas de engenheiros com o perfil e qualificações específicas que o mercado atual demanda. Uma análise do IPEA corrobora essa perspectiva. A escassez não é generalizada, mas localizada em setores específicos e em faixas etárias de maior experiência (entre 35 e 54 anos), que são tipicamente associadas a funções de liderança.

 

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Análise Salarial e o Piso Profissional do Engenheiro

 

A engenharia é uma carreira que se destaca por sua atratividade financeira no Brasil. O Censo CONFEA 2024 revela que 68% dos profissionais registrados no Conselho Federal possuem rendimentos que superam cinco salários mínimos, considerando a soma de todos os rendimentos dos moradores do domicílio. No cenário nacional, somente 25% atinge esse nível de renda, conforme IBGE. Essa informação ressalta a competitividade salarial que a engenharia oferece, reforçando a percepção de que essas carreiras são uma via promissora e segura em termos financeiros.

O salário mínimo profissional do engenheiro está instituído na Lei Federal n.º 4.950-A/1966. A lei estabelece um piso salarial diferenciado com base na duração do curso universitário e na jornada de trabalho diária.

 

Para formados em cursos superiores de 4 anos ou mais:

6 h diárias: 6 salários mínimos;

7 h diárias: 7,25 salários mínimos;

8 h diárias: 8,50 salários mínimos;

 

Para os diplomados por cursos superiores com duração de menos de 4 anos:

6 h diárias: 5 salários mínimos;

7 h diárias: 6,04 salários mínimos;

8 h diárias: 7,08 salários mínimos;

 

Setores em Destaque e as Novas Exigências do Perfil Profissional

 

A engenharia Brasileira está em galopante evolução pois diversos setores apresentam aquecimento notável, impulsionando a demanda por profissionais qualificados. Setores como infraestrutura, tecnologia, logística, supply chain e energias renováveis são os principais motores dessa demanda.

Esse cenário dinâmico exige um perfil profissional específico e atualizado. As empresas buscam engenheiros com habilidades técnicas avançadas, domínio de tecnologias digitais, capacidade de uma visão sistêmica e diferenciais em soft skills.

Além disso, a transformação digital e a Indústria 4.0 tornam o conhecimento em áreas como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial e Big Data cruciais para a evolução dos sistemas produtivos. Os engenheiros integram essas tecnologias emergentes em seus processos, contribuindo com eficiência e inovação para os negócios.

 

Conclusão

 

Em suma, o mercado de trabalho para engenheiros no Brasil é promissor em termos de empregabilidade e remuneração, mas exige uma constante adaptação. A demanda por profissionais qualificados em setores estratégicos, aliada à necessidade de novas habilidades tecnológicas e soft skills, desenha um cenário de oportunidades para aqueles que buscam atualização e especialização. Portanto, superar o déficit de talentos e se preparar para um mercado cada vez mais exigente são passos cruciais para o futuro da engenharia no país. O Paradoxo da Engenharia Brasileira: Empregabilidade x Escassez de Talentos

 

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