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Por que o Brasil ainda depende tanto do concreto armado?

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O ano era 1867. Um jardineiro francês chamado Joseph Monier, cansado de ver seus vasos e jardineiras de argila danificados devido à baixa resistência, teve a brilhante ideia de reforçá-los com uma malha de arame no meio da argamassa durante a fabricação. Assim nasceu o concreto armado. Por que o Brasil depende tanto do concreto armado?

Monier patenteou essa invenção e exibiu na exposição universal de Paris em 1867. O sucesso foi instantâneo e Monier se aventurou no ramo da construção civil. Em 1875, construiu a primeira ponte em concreto armado do mundo, com aproximadamente 14 m de vão livre, que ainda está lá, exatos 150 anos depois.

A utilização do concreto não era novidade pois os romanos já empregavam o concreto à sua época, misturando cal, água e pozolana(material vulcânico). O Panteão, em Roma, com sua cúpula de 43 m, é um testemunho duradouro da engenharia romana, resistindo por quase dois milênios. No entanto, após a era romana, o uso do concreto diminuiu devido à dificuldade em obter cinzas vulcânicas.

O concreto ressurgiu sistematicamente apenas em 1824, na Inglaterra, com o desenvolvimento do cimento Portland. Este pó fino, resultado da calcinação de calcário e argila a altas temperaturas, revolucionou a fabricação do concreto. Com a invenção de Monier, o concreto armado migrou dos vasos e canteiros para se tornar o material de construção mais utilizado globalmente.

 

Mocinho ou vilão?

 

O concreto é fundamental em todos os tipos de edificações, só perde para a água como recurso mais consumido no planeta. Contudo, seu processo de produção contribui com cerca de 8% das emissões globais de CO2, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

Pesquisadores brasileiros calcularam os indicadores de impacto ambiental advindos da produção de concreto. O estudo foi publicado na Revista CONCRETO & Construções.

Em um dos resultados da pesquisa, o potencial de aquecimento global variou de 128 a 348 kg CO2 eq./m3. Ou seja, a cada metro cúbico do concreto produzido, as emissões de gases do efeito estufa variaram de 128 kg a 348 kg dependendo do fornecedor.

 

Estamos falando de um potencial de cerca de 2,8 toneladas de CO2 a cada caminhão betoneira com capacidade de 8m3

 

Paradoxalmente, o Brasil se prepara para receber a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém (PA).

Porém, com as atenções globais voltadas a medidas e políticas no sentido de redução do impacto ambiental e a consequente diminuição dos gases de efeito estufa, emergem algumas dúvidas interessantes.

 

Por que o Brasil ainda depende profundamente de um insumo que gera considerável impacto ao clima como é o concreto armado?

Quais alternativas vão além da capacidade autoportante e podem substituir o concreto armado com igual desenvoltura estrutural?

 

O mundo desenvolvido na vanguarda

 

Ao olharmos um pouco para o “velho continente”, bem como para nossos colegas ao norte do “novo mundo”, uma das características distintivas da construção civil nos países desenvolvidos é a prioridade crescente de políticas para reduzir as emissões de carbono, o que influencia diretamente o setor de construção, levando os construtores a buscarem soluções inovadoras e sustentáveis.

Com a conscientização internacional da importância da redução das emissões de gases de efeito estufa, o setor da construção precisou se adaptar a essa realidade. A construção de edifícios com baixa pegada de carbono é uma das iniciativas que as construtoras têm adotado.

Destacam-se os sistemas de construção a seco, entre eles os principais são:

Estrutura metálica: Uma das alternativas mais robustas e versáteis ao concreto, sendo amplamente utilizada em projetos de grande porte, tanto na Europa quanto nos EUA. É 100% reciclável. Gera menos desperdício e resíduos, com uma velocidade de construção absurda. Possibilita adotar grandes vãos, a partir de 40 m o aço é praticamente imbatível comparado ao concreto.

Light Steel Frame (LSF): Estruturas formadas por perfis de aço galvanizado leves, que funcionam como o “esqueleto” do edifício.

Wood Frame: Similar ao LSF, mas utilizando perfis de madeira. Popular nos EUA e em algumas regiões da Europa. Compartilha muitas das vantagens do LSF em termos de rapidez e sustentabilidade.

Construção Modular e Pré-fabricada: A pré-fabricação de módulos completos ou painéis em ambientes controlados de fábrica permite maior precisão, redução de desperdício de material e menor impacto ambiental no canteiro de obras.

 

Em suma, o futuro da construção civil no Brasil dependerá cada vez mais da nossa capacidade de integração de práticas sustentáveis e da inovação, considerando que a infraestrutura necessária para o crescimento econômico e social seja desenvolvida de maneira responsável e eficaz.

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